A única maneira de cruzarmos os nossos sentimentos,
É com as minhas palavras e as tuas formas desenhadas,
O único ponto em que nos ligamos em pensamentos,
É agora nestas duas artes por nos dois fabricadas.
-
Que eu seja o teu grandioso Númen pagão,
E que tu seja a minha eterna estro-paixão,
E assim a nossa arte seja a nossa mestra união,
Nada mais que uma pintura e um poema eles serão.
-
Sai da moldura onde estas lindamente pintada,
Majestosa beleza sombria eu humildemente peço,
Pega numa num pincel, e numa tela sem nada,
E pinta um quadro. Com este pedido me despeço.
Francisco Dias
03/03/04
06:47
Encontrei-te nos meus sonhos,
Fiquei maravilhado, encantado!
Estava feliz por estar ao teu lado,
Estava sempre a contemplar-te.
Estranho como o brilho dos meus olhos,
Era parecido com o dos teus…
Francisco Dias
Ma petite poupé
Continua a respirar
Permite-me continuar
Prometo não incomodar
Vou apenas viajar na tua pele
Abrimos as janelas e fazemos amor
Mostramo-lo ao mundo
Sem medo
Amor
Os meus olhos entendem a tua alma
Vou apenas matar os meus e os teus
Fantasmas
O palco está livre
E no meio o carrossel azul
Continua a respirar
Outra vez
É assim que te encontro
Vou ser apenas eu
Depois de tudo o que vimos
Já não há tempo para mais
E aqui estamos
Outra vez
É essa a razão
Não temos de partir
Continua a respirar
Deitada de costas
Eu ensino-te o meu alfabeto
Desenho mapas secretos
E até te digo quem sou
Se prometeres continuar
Porque te amo?
Tu sabes
É porque te conheci
Porque preciso de ti
Porque sinto-te
Porque que te quero
Sim
Porque te amo
Acontece assim
Quando não acreditamos
Que o dia vai nascer
Não faz sentido
Mas esquece
Não tentes entender
Continua
Prometo não acordar-te
Pelo menos enquanto voares
Eu só quero viajar
Ao teu lado
Por isso
Sigo a linha de fogo
Que traço com a língua
Na tua pele
Sentes a água?
Sei que o dia vai nascer
Desta vez
Não há nada a esconder
Nem há jogos
E que o futuro não seja o prolongamento
Do passado
É dia meu amor
Desculpa se te acordei
Dá-me a tua mão e vamos correr
Atropelar o mundo com a nossa magia
Transformar o que não conhecemos
Tocar os espinhos
E sentir a brisa da Primavera
Não me importo
Aí vem o amor
É melhor correr
Sem parar
Sem olhar para trás
Adiantaríamos ao tempo
E respirar como um só
Ofegantemente livres
Fecha a porta a cada saída
Não deixes rasto
Somos desconhecidos
E felizes
Mas fugitivos
Aos olhos de quem não voa
Pintei o nosso caminho
Sem deixar espaços em branco
E sei-o de cor
Usei laranja, amarelo e vermelho
Um pouco de lilás e azul também
Nem um espaço em branco
Vamos
Vem comigo
O pincel é a extensão da nossa essência
Água e cor
Transformemos o mundo em palavras
Pintemos o sol em cores
E os cheiros em sabores
Quero-te apenas como o meu sol
Ao olhar para o céu azulado
Enquanto te elevo no ar
E te rodopio
Abres sempre os braços
E quando te poiso
Pedes-me como uma criança
Que te faça voar
Não sei se já te disse
Mas é para ti que vivo
E se me vieres salvar
Agora seria perfeito
Por favor
Se me vieres salvar
Agora seria perfeito
Minha sombra de luz
Os meus desejos
Foram sempre os mesmos
Tornar-te parte de mim
Colados pela pele
Tornar-me numa tua tatuagem
Uma qualquer pintura de Guerra
Ou uma gota de mar que bebes
E sempre fez parte de ti
Tornar-me o fugaz vento
Que agita o teu cabelo
Ou a água fresca
Que dele escorre
Deslizando nas tuas costas
A cada noite sem rumo
Creio teimosamente
Que tu és igual a mim
Sonho que encontramos
O norte
Para logo a seguir fugirmos
De mão dada
Em sentido contrário
Vento na cara
A tua mão na minha
Essa pele macia
A transpirar magia
As memórias como livros
Escondidos no pó
Lidos todos os dias
Devagar
Devagar
O teu mundo está tão
Perto do meu
E o que eu digo está tão
Longe
Como o mar está do céu
Comigo continua
Continua comigo...
Sté és a personificação do meu sonho!
Encontrei uma preta
Que estava a chorar,
Pedi-lhe uma lágrima
Para a analisar.
Recolhi a lágrima
Com todo o cuidado
Num tubo de ensaio
Bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
Do outro e de frente:
Tinha um ar de gota
Muito transparente
Mandei vir os ácidos,
As bases e os sais,
As drogas usadas
Em casos que tais.
Ensaiei a frio,
Experimentei ao lume,
De todas as vezes
Deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
Nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
E cloreto de sódio.
António Gedeão
O sexo é purificador.
como salgadas são as gotas de suor
que brotam dos meus poros
e encharcam nossas peles.
A noite é meu templo
onde me torno um deus enlouquecido
sentindo teus cabelos sobre a minha pele.
Neste instante já não sou nada,
somente corpo,
boca,
pele,
carne,
línguas,
bocas.
E a vida brota da semente,
dos longos minutos de êxtase.
Minhas mãos como um brinquedo
passeiam pelo teu corpo.
Não revelam segredos
desvendam apenas o pudor do mundo,
descobrem a febre dos animais
Então nos tornamos um
ao mesmo tempo em que
a escuridão explode em festa.
A noite amanhece sem versos,
com a música do seu hálito ofegante.
O sol brota de dentro de mim.
Breves segundos.
Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.
Visto-me de paixão e esquecimento.
Eu fui feliz.
Eu sou feliz!
Por trás dos meus olhos existe um lago
Onde mergulho na esperança do amanhã,
No ângulo de um futuro inaugurado no meu corpo.
Debaixo das minhas mãos encontro degraus de sorrisos,
Falésias, portos, cantos de abrigo
Que me balançam o ânimo, trazendo o delírio do silêncio.
Afogada em minha boca trago a noite – a beleza
Das memórias ao amanhecer, o mel dos lábios lambidos até ao limite.
E, entre o girar dócil do meu cabelo, trago a afirmação do meu ser,
Essa verdade que me escapa da alma para os olhos.
Maguita
Bem-vindo a onde o tempo parou
Ninguém sai, e ninguém o fará
É lua cheia, nunca parece mudar
O sintoma de loucura…
Sonha com a mesma coisa todas as noites
Eu procuro a nossa liberdade no meu horizonte
Sem portas trancadas, nem barras nas janelas
Sem coisas que amedrontam a minha mente.
Dorme meu amigo e verás
Esse sonho é a minha realidade
Eles mantêm me fechado nesta gaiola
Não vêm ele que é por isso que a minha mente diz Raiva!!!!
Sanatório, deixa me ser eu
Sanatório, deixa me em paz
O medo que tenho pelo que esta lá fora
Não me deixa respirar o ar a minha volta
Sussurra coisas na minha mente
Assegurando me que eu estou loco
Eles pensam que têm as nossas cabeças
Nas mãos deles…
Mas praticas violentas
Puxam por planos violentos
Mantêm o apertado, faz-lhe sentir bem
“ele esta a melhorar”, consegues o dizer?
Eles não nos podem continuar a manter aqui
OUVE! Porra!!! Nos vamos vencer
Eles é que têm razão, eles vêm bem
Mas eles pensam que nos salvam
Do nosso inferno!
Medo de viver aqui
O meu ser está inquieto
A revolta anda no ar
Tenho umas mortes a fazer
O espelho olha me cruelmente
MATAR, é uma palavra tão amiga
Parece me a única saída
Para sair outra vez.
Metallica rulezzz forever!!!
,\,,/
Sê paciente, pois o lobo está sempre contigo.
Escuta, imbecil, o som do teu desejo;
Não te deixes iludir, não é o mar,
O lobo é loucura, mas a lua é luz.
Deus virá de uma ignorância como a tua,
Não como um boneco de caixa de surpresas, mas como
Árvore feita pai choroso em delírio,
As dores da noite têm todas o seu trágico lugar,
Meio rosto de Deus procura a outra metade.
E Ele achará o teu génio na escuridão
E to restituirá sem fiador.
Sê paciente, pois o lobo está sempre contigo,
Feio e mau e, contudo, divino.
Esquece o estrépito do mar,
O mar desdenhoso fazendo beiço todo o dia,
Estridente como fábricas de vidro a estilhaçar-se.
Passa ao largo do mar lustroso, invindimável,
Pois quem lhe bebe mais fundo são os afogados.
A neve negra amontoa-se sob o relógio,
Onde o encontro falhado se junta a tempo ao coração magoado.
Este é um mundo de mistérios sem valor.
Sê paciente, pois muita, muita coisa é paciente.
Sê paciente, pois o lobo é paciente,
Os prados aguardam que os arco-íris digam Deus,
As sombras aguardam que tu digas a palavra,
Duas almofadas confiam no amor para salvar o mundo.
Ao luar o mineiro vacila junto à âncora suja.
O frete aguarda: o navio congela no fiorde.
O anjo aguarda, o coração feito mão dorida
Pronta a levar-te, longe de nós, para o país do entardecer,
Onde ninguém é voraz, mas onde as coisas se fazem,
E onde não há lobo, nem pensar em dilúvio.
Sê paciente, porque o lobo é paciente.
O pisco aguarda das trevas a reparação,
A andorinha anseia pelo Outono para dizer já,
E Eco por Hero, para não responder não.
Só o sino que segue não espera,
Galopando o seu rosto de mãe pelos campos fora,
Para te esfolar até ao osso com a rudeza do repique.
No começo do Inferno, no meio
Da floresta, a imagem oscila entre mãe e mar.
Não dês ouvidos ao sino nem ao mar envelhecido,
Mas ao bom e querido lobo jura fidelidade.
Sê paciente, por causa do lobo, sê paciente:
Todas as dores e guinchos da noite têm o seu lugar,
Acharás a tua toca de sangue quente e enfim repousarás;
As sombras aguardam que digas a palavra.
Escuta agora o teu próprio passo macio e manhoso.
Sê paciente, por causa do lobo, sê paciente -
O passo dele é já o teu, és livre porque despojado.
Malcolm Lowry
Acordo amarrado a uma parede,
Estou nu, vestido por cicatrizes,
Ensopado no meu sangue,
Dentro deste corpo esquelético.
Tu reparas que eu recupero os sentidos,
E voltas-me a chacinar, a torturar.
Tu estás cega de loucura.
Eu pergunto-me para que será isto?
Parece que ainda não reparaste,
Que tudo o que me estás a fazer,
Nada me vai afectar mentalmente,
Mas podes continuar, até eu morrer.
Não, para mim não tem importância.
Pior, muito pior que isto,
Eu não te consigo esquecer!
AMO-TE!
Mon petit rêve
Francisco Dias
08/03/04
03:45
Estava a viajar e parei para descansar,
Sentei-me num rude banco de jardim,
Enquanto descansava vi passar um cortejo fúnebre.
Estava um velhote no banco a repousar, e perguntei-lhe:
-Qual a razão de morte do defunto?
Ele num gesto de pesar, respondeu-me:
-Parece que foi assassinado cruelmente!
Curioso com estas palavras, indaguei:
-Por uma lâmina, uma bala?
E ele voltou-me a responder:
-Não foram lâminas, nem balas que acabaram
Com a vida deste pobre homem,
Foi um crime perfeito,
não deixou marca nenhuma!
Intrigado voltei a perguntar:
-Mas então do que o mataram?
Ele calmamente respondeu:
-Este homem, mataram-no de amor…
Todos vampiros são imortais,
Mas alguns morrem de amor.
Francisco Dias
08/03/04
02:50
Em tempos senti uma emoção monstruosa,
Algo que me abafava a voz,
Que dilacerava o meu coração.
Ficava enervado e impaciente,
Tinha vontade de rasgar o meu peito,
Para deixar sair todo o que tinha dentro de mim.
A angústia de que, nada mais poderia fazer.
Aquela sensação de que ainda me faltava algo,
Aquele sangue sentido que me subia pelo nariz.
A vontade de falar que se torna em gaguez,
Aquele “AMO-TE” que não faz eco.
A mão que tremia sem eu lhe pedir,
A lágrima que largava sem eu consentir.
Sinto me um monstro,
Um animal, só de saber,
Que um lindo serafim
Sente isso por mim…
07/04/04
Francisco Dias
06:50
Dedicado a Mon petit rêve
"Oi Darkayz! Há mt que n te vejo..
é sempre um enorme prazer voltar ao teu blog; adoro ler o que escreves com tanta paixão, com tanto sentimento admiro te por isso! Ah, não tenhas medo das alturas.
Aqui te deixo um poema meu que fiz a pensar no que te disse: "...E se alguém te disser que não tens asas e que não sabes voar,não acredites!..Pois tu tens asas e voas, apenas tem medo de o fazer" (in "Olhei e nada vi"- Lúcia Pereira(eu) )"
A noite é longa
e gelada;
Meu corpo treme
com o teu suave tocar
na minha face...
Sinto-me só
e vazia!
A solidão tomou
conta de mim;
Estás ao meu lado,
tentando me puxar
para a vida,
Mas a morte
é mais forte..
E, eu ,não
quero viver mais..
Quero apenas
repousar no eterno sono!
Assim fico, deitada na
minha cama,
imóvel,
sem qualquer sentido de
existência...
Um último suspiro
escapa,
enquanto minha alma
se esquiva
deste objecto que chamamos
Corpo.
Digo te o meu último Adeus..
Sim, sei que serás
mais feliz assim..
Tem a coragem de
abrir tuas asas e voa!..
N te escondas atrás de máscaras
como eu o fiz durante
a minha insignificante
Vida...
Adeus....
amiga secreta
02/03/2004
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Foi um e-mail que recebi hoje.
Fiquei muito grato por ele. Obrigado Lúcia!
Deste um empurrão para continuar a lutar pela minha Feitiçeira.
Um beijo para ti!
Estava eu numa galeria completamente deserta,
E reparei num curioso quadro que lá estava pendurado,
Era um homem perdido no meio da sua triste vida,
Estranho como o seu rosto era parecido com o meu…
05/03/04
Francisco Dias
O destino fez com que eu te conhecesse,
Apenas para eu sentir a agonia de saber,
Que nunca, mas nunca irei te ter…
05/03/04
Francisco Dias
Os teu olhos revelam uma furiosa explosão,
Os meus ameaçam que te vou ter.
Eu ergo a minha mão na tua direcção,
E tu concedes-me o teu harmonioso ser.
Abraço-te fortemente até não poderes respirar,
Beijo-te docemente saboreando os teus lábios,
Acaricio-te a nuca, e com um leve sussurrar:
-“ Não tenhas medo, apenas te vou subjugar!”
Mordo o teu pescoço enquanto te deito,
Seguro fortemente os teus braços que insistem.
Apodero-me imperialmente do teu peito,
Neutralizo os receios que ainda subsistem.
Com a língua percorro suavemente a tua espinha,
Puxo os teus cabelos para traz com veemência,
Largas todos os sons que guardados a tua boca tinha,
E desfazes-te em pó. Uma ilusão! Paciência…
05/03/04
Francisco Dias
05:30
Eu nunca serei teu, e tu nunca serás minha.
Mas se um dia porventura, por ti me apaixonar,
Mostrarei os mesmos sentimentos que antes tinha,
Mesmo que o meu coração comece a gritar.
-
Nunca fui de amar alguém sem ter dor,
Nunca amarei alguém que não me magoe,
Se algum dia por ti sinta mui amor,
Que seja pelo espinho de uma flor.
-
Nunca me irás dar a mínima das esperanças,
Mas cada dia que eu viva é um dia para te amar,
Coração não vai parar de bater mesmo cravado por lanças,
E hoje escrevo assim, imagina se te adorar.
-
Se gostares de amar o que é deveras irrealizável,
Então entrega-te a mim e diz que me poderás amar,
Pois se ouvir isso eu irei de seguida morrer, é o mais provável
Tal como consegui por estas quadras cruzadas a rimar!
03/03/04
Francisco Dias
04:55
Sento-me agora para escrever.
Traduzir pensamentos para letras,
Mas em vão abano a cabeça,
Não me está a sair nada,
Nem uma única frase de jeito,
Nem um verso perfeito.
Uma quadra brilhante,
Algo que me deixasse satisfeito!
Tento espremer pensamentos,
Ergo mãos aos céus,
Não consigo descrever sentimentos,
Será que o que estou a dizer
É a mais triste das insanidades,
Ou a mais brilhante das genialidades?
Olho para o espelho e pergunto.
Que louco olhar me faz!
Sufoco, agonia, magia e paixão.
Sem ar consigo morrer,
Com dor consigo falecer,
Por feitiço posso perecer,
Sem ti não consigo viver!
És um castelo no mar,
Uma sereia a cantar,
A lua no céu a olhar,
Deidade dos poetas,
És a musa!
Quem nos faz fantasiar.
És a nossa hóstia.
Corpo e sangue de sonhos.
Sonhos inacabados de desejo,
Uma carícia no teu pescoço,
Um arrepio, um beijo,
Se me deres inspiração,
Eu dar-te-ei vida eterna,
Viverás para sempre no meu coração,
Na minha alma, e num livro de fascinação.
Francisco Dias 02/03/04
Dedicado a quem me inspira!
Se alguém me achar um ser magico e venerável,
E em mim reparar que tenho harmonia extrema,
Se vir uma imensa aura magica que me envolve,
Então essa pessoa sim é a mais linda dos seres,
Os seu olhos são puros como o límpido cristal,
E a aura magica que seus olhos vêm em mim…
É toda a magia do seu ser espalhada pelo mundo!
Francisco Dias
03-03-04
Eu sou a anciã Excalibur em pedestal plantada,
Como pudeste ousar tocar-me para me tirar do sítio?
Viste com as tuas mãos doces e matreiras,
E com jogos sujos quase que me conseguiste arrancar.
Mulherzinha previsível, ao longo destes anos,
Ensinaste-me me tanto e aprendeste tas pouco!
E de pensar que em tempos houve uma pessoa,
Que com as suas delicadas mãos pegou-me pela lâmina,
E com todas as suas forças tentou arrancar-me,
Cortou-se e perdeu sangue, e tentou com mais força ainda,
As suas mãos frágeis eram uma fonte de sangue que jorrava.
E mesmo assim eu infelizmente fiquei firme e imóvel.
Ainda estou aqui, neste imóvel pedestal…
REI ARTUUUUUUUUR!!!!
Francisco Dias
01/03/04
A pessoa de mãos tinhosas sabe quem é!
À pessoa de mão feridas pesso desculpa.
O rei Artur é quem está para vir.
Escondida na tua mente adormecida
Rastejou a serpente dos teus desejos
Desceu da árvore, e invadiu o teu éden
Ela veio ofereceu-te a fruta proibida
Encoberta com os teus sonhos profundos
Consumiu lentamente a tua pura devoção.
Acobardavas-te a todos os desafios
Rastejavas a pedir clemência e compaixão
Mas agora que comeste a maçã soberana
Tens acesso a todos os prazeres proibidos
E podes usar todo o conhecimento interdito
Faz tudo o que imaginares da tua ilusória vida.
Voa como uma árvore, grita como uma pedra
Corre como uma ravina, respira como a água
Nada como uma montanha, magoa como o ar
Salta como um rio, fica parado como o fogo
Faz isto tudo da tua vida, virando as costas ao mundo
Faz isto tudo, mas não tentes o impossível.
Impossível é colher uma rosa sem te picares
Impossível é amares o que tu ainda tens
Impossível é protegeres o que é teu
Impossível é na verdade a única coisa que tu vais querer fazer!
Francisco Manuel Dias
15/02/04
Caminhava eu numa grande rua solitária,
Ao dobrar a esquina dei de caras contigo,
Parei bruscamente para não te atropelar.
Olhei-te nos olhos com um suave vibrar,
Meu coração começou a explodir sangue,
A minhas pernas começaram a oscilar,
As minhas mão pareciam varas verdes,
A minha cara ficou vermelha de sangue,
O ar a minha volta fugia da minha boca.
Mal me viste, fizeste o mesmo que eu!
Ficamos ali vários segundos imóveis.
Os nossos corações gritavam muito alto,
As nossas almas pediam a nossa união,
O meu coração batia pelo teu, e o teu pelo meu,
Os teus lábios queriam beijar-me suavemente,
Todo o meu corpo queria tocar-te docemente,
Ficamos assim um tempo sem fim, depois…
Depois...
Desviamos os nossos olhares e seguimos em frente!
Francisco Dias
Levantei-me agora, o fraco sol faz-me tapar a cara,
Estico-me com todas as forças para depois bocejar,
Agarro na minha sacola e vou para a minha tarde planeada.
Sigo aquele carreiro de encontro à arvore rara,
Um chaparro fraco e rasteiro que eu vou tentar animar,
Choro enquanto encosto a minha mão na cortiça queimada.
Largo a minha sacola recheada para o chão e pouso o tarro,
Examino aquela pernada que fica ao meu nível,
Olho para o céu ironicamente, é a ultima vez que o vou ver.
Ponho o tarro por baixo da pernada do chaparro,
Agarro na corda ato-a na parte da pernada menos sensível,
Trepo a arvore e sento-me no seu braço, com vontade de descer.
Ato firmemente ao meu tornozelo a outra ponta da corda grossa,
Faço uma pausa e gozo o meu ultimo momento de melancolia,
Como que por o tempo fizesse pausas eu deixo me cair.
A minha cabeça bate no chão deixando uma grande mossa,
O esticão da queda desloca os ossos e deixa-me sem energia,
Fiquei pendurado de cabeça para baixo, tristemente a sorrir.
Com as minhas mãos consigo alcançar o tarro e a minha sacola,
Tiro a minha navalha e começo a fazer pequenos cortes no peito,
Estou agonizado pela dor que sinto na perna, estou sufocado.
Ponho a minha cabeça dentro daquele recipiente de esmola,
O meu sangue começa, a escorrer corpo abaixo repousando no seu leito,
Ele percorre o meu peito caindo dentro do recipiente planeado.
Insisto em mais uns pequenos cortes junto ao pescoço martirizado,
O sangue faz um harmonioso carreiro passando pela minha face sem zelo,
Estou a agoniar, mas ainda tenho forças para completar o que foi começado.
Prendo as mãos atrás das costas com as algemas que no chão tinham ficado,
O sangue começa a encher o tarro e começa a ficar ao nível do meu cabelo,
Já não consigo ignorar a dor do meu tornozelo que está a ser massacrado.
Sinto-me fraco, mas de uma maneira muito serena e doce,
As minhas feridas continuam a jorrar o que o meu coração bombeia,
O sangue começa a tapar-me a testa e os olhos e eu tento relaxar.
A corda que me prende o tornozelo arrepela-me e fico impaciente,
Já não consigo abrir os olhos e o meu sangue dentro de mim não escasseia,
Ainda penso que a razão pela qual estou aqui é a de me menosprezar.
Não posso olhar para o mundo, e o sangue já me cobre as orelhas,
Admiro-me pois nunca pensei que ele fosse tão doce e quente,
Não sei quanto tempo já passou e quanto sangue escorreu, parece-me tanto.
O sangue começa a entrar pelas narinas, descendo até ao céu-da-boca,
Tento manter a calma, mas começo a entrar em pânico,
Não consigo controlar os pensamentos.
O sangue começa a entrar também pela boca,
O que me leva a tossir, e a engolir o meu próprio sangue,
Tento tirar as algemas e não consigo,
Tento tirar a minha cabeça dentro do tarro,
E também não consigo,
Não tenho forças para nada!
Tusso mais uma vez e engulo um pouco de sangue que tenta subir,
Tenta subir pela minha garganta seca de lutar pela vida.
Tento fazer força com os abdominais…
E nada…
Tento, tento, tento!
Dum spiro spero!
Tento respirar, mas apenas entra sangue,
E com o cansaço da luta deixo-me adormecer.
Nunca chegarei a saber se morri....
Vivo todos os dias a pensar que estou a dormir,
Pergunto-me porque eu não acordo.
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Francisco Dias - aka - Darkayz

Um obrigado à Sofia Barbosa por gentilmente me ter feito este desenho.
Um artista criou a mais fascinante das criaturas,
Ele pegou num humilde lápis e com a sua alma desenhou.
Era uma frágil mulher com uma cara fina e pálida,
Lábios pintados de negro, tal como a sua alma.
A sua face era pintada com as sombras da lua,
Os seus lábios eram suaves e da cor da noite,
Os seus olhos estavam fechados tal como a sua alma.
Os seus cabelos eram longos e lindos como um rio límpido.
Hoje esse desenho saltou da moldura e ganhou vida,
Era a ultima coisa que eu esperava, fiquei perplexo,
Levantei-me e saudei a rainha da pulcritude.
Em pensamentos disse que estava uma bela noite para amar,
Na realidade ela respondeu-me com um subtil sorriso
A noite está boa para amar, serás tu a pessoa certa?
Fiquei hipnotizado durante horas que passaram em segundos,
E depois ela abalou, sem que eu nada pudesse fazer.
Deixou um leve tecido de magia, que eu apanhei.
Agora fico sentado a espera que um dia ela saia outra vez.
Apenas com minha mão queimada de tanto quente ser
Tentei por meio deste poema derreter um coração gélido.
Mas confuso, pergunto a mim mesmo com tamanha inocência
Alguma vez o artista sonhou que tal ser existisse??????
05:20
16/02/04
Francisco Dias